quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Veneza: o charme discreto e o glamour do Lido

Mariane Morisawa -  iG
Getty Images
Lido oferece passeios tranquilos de barco sem a multidão de turistas de Veneza

Veneza não é apenas a cidade sem carros, dominada pelas gôndolas e pelos prédios de fundações mergulhadas na água. A poucos minutos de vaporeto da Piazza San Marco está outra Veneza, menos monumental, de charme discreto e mais protegida das hordas de turistas.

O Lido é uma ilha comprida e estreita que fecha a laguna de Veneza e sempre foi ponto estratégico na proteção da cidade, uma antiga potência marítima. Tornou-se balneário famoso no século 19, quando abrigou o escritor Thomas Mann, que ali escreveu o romance Morte em Veneza, transformado mais tarde em filme por Luchino Visconti – rodado ali mesmo, no Hotel des Bains, atualmente fechado para reforma que vai transformá-lo em condomínio.

Hoje o Lido é conhecido como a sede do Festival de Veneza e passa por uma revitalização que promete devolver-lhe o brilho dos tempos áureos. Enquanto isso, segue elegante e discreto. Descubra o há de interessante para se fazer por lá.

A praia de Veneza
Mariane Morisawa
A praia do Lido atrai centenas de turistas europeus
Verdade que não é uma faixa de areia branquinha com coqueiros e mar azul. Mas a praia do Lido faz muito sucesso, principalmente na área do hotel Excelsior (Lungomare Marconi, 41), que sempre foi o point do Festival de Veneza e também está programado para passar por uma revitalização.

A praia é daquelas típicas da Europa, com suas barracas alugadas a preço de ouro. Tem seu charme. O terraço do hotel é onde os cineastas e atores se concentram durante o festival. O embarcadouro do hotel é o ponto de chegada de estrelas do porte de George Clooney, habitué do evento.

Caminhadas e passeios ciclísticos
Mariane Morisawa
O Lido é um bom lugar para percorrer a pé ou de bicicleta
Tudo bem que dá para andar de carro e até de ônibus no Lido, mas a graça mesmo é percorrer a pé ou de bicicleta as duas avenidas principais – a Lungomare Marconi, à beira mar, e a Gran Viale Santa Maria Elisabetta, que corta a ilha entre a estação do vaporeto e o oceano. Ali concentra-se o comércio do Lido, com lojinhas de veraneio, cafés simpáticos e alguns lugares bons para se comer, como o tradicional Maleti (Gran Viale Santa Maria Elisabetta, 45), aberto até tarde na temporada e solução para aquela fominha ou vontade de tomar sorvete. O de iogurte com frutas vermelhas é imperdível.

Quem deseja fazer um piquenique também pode dar uma passadinha na Salumeria Da Ciano (Gran Viale Santa Maria Elisabetta, 47), com embutidos e queijos deliciosos – a ricota é divina. Uma das joias do estilo liberty, o art noveau italiano, também fica na avenida: o hotel Hungaria  (Gran Viale Santa Maria Elisabetta, 28), com sua fachada de cerâmicas multicoloridas e em alto-relevo. Saindo das vias principais, uma série de ruazinhas serpenteia ao longo dos canais ou em direções desordenadas, com casarões pelo caminho.

Para comer
Mariane Morisawa
As tortas imperdíveis da Pasticceria Maggion
O melhor restaurante da ilha é o La Favorita (Via Francesco Duodo, 33), que serve bons peixes em ambiente agradável, um terraço coberto. Outra boa pedida é o Andri (Via Lepanto, 21), com água servida em vidros de murano e o famoso e gigante antepasto de peixe, com vários tipos de frutos do mar típicos em Veneza, tudo fresquinho.

O Belvedere (Piazzale Santa Maria Elisabetta, 4), de frente para a estação do vaporeto, serve comida bem-feita no terraço, mas sua principal atração é o tiramisu della casa, de comer rezando. Pergunte antes se o cozinheiro teve tempo de fazer (o ritmo no Lido é outro). A Pasticceria Maggion (Via Dardanelli, 48), ao lado do Palazzo Del Cinema, é salva-vidas dos participantes sempre apressados do festival e agrada tanto por suas delícias quanto pela simpatia dos donos. Tortas doces e salgadas, pizzas, folhados e sanduíches são as especialidades de Sergio e Matteo Maggion, pai e filho, os únicos que sobraram na Itália – o resto da família emigrou para o Brasil.

Onde ficar
Quem está atrás de glamour deve tentar o Excelsior mesmo. O Quattro Fontane (Via Quattro Fontane, 16), ao lado do Palazzo Del Cinema, é favorito de muita gente que frequenta o festival. O restaurante com mesas ao ar livre também é concorrido. Mais em conta, o simpático e renovado La Pergola di Venezia (Via Cipro, 15) fica numa ruazinha calma, travessa da Santa Maria Elisabetta.


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