segunda-feira, 22 de novembro de 2010

São Luís para todas as tribos

A capital maranhense oferece praias, baladas e um centro velho que é patrimônio mundial
 Lecticia Maggi, especial de São Luís
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Casarões do centro histórico foram declarados Patrimônio Cultural da Humanidade
São Luís do Maranhão
é uma cidade dividida. De um lado está o centro velho com 398 anos de histórias nos interiores de grandes casarões e edifícios. Um acervo de cerca de três mil imóveis que, desde 1997, não é mais somente do Brasil, mas do mundo, já que a Unesco declarou São Luís Patrimônio Cultural da Humanidade.
Já do outro lado das pontes José Sarney e Bandeira Tribuzzi, há uma cidade ainda jovem, com, no máximo, 40 anos, mas pulsante. Da orla da praia é possível ver diversos prédios em construção. Alguns apartamentos prontos ultrapassam o valor de R$ 1 milhão no mercado imobiliário. Dividindo as duas São Luís está o rio Anil, com quase 14 km de extensão. De manhã ele é um; à tarde, outro. A cada 6h, a maré sobe e provoca uma variação de até sete metros em suas águas, "lavando" as avenidas em sua margem.

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Moradores jogam futebol na orla da praia
A capital do Maranhão, com seus quase um milhão de habitantes, está localizada na Ilha Upaon-Açu (do tupi guarani “ilha grande”), conhecida principalmente como Ilha de São Luís, também formada  pelos municípios de Raposa, São José do Ribamar e Paço do Lumiar. São Luís é uma cidade que não desampara. Ali, há opções para os praeiros em busca de sossego, mas também para a galera urbana à procura de lojas, bares, restaurantes e baladas. O município não engana que é capital: tem refúgios e natureza, mas também movimento, trânsito intenso, gente.
Veja opções do que fazer na cidade:

Praias
Água e areia é o que não falta no Maranhão, já que o estado tem 640 km de litoral, o 2º maior do Brasil, atrás apenas da Bahia com seus 932 km. Porém, quem espera praias límpidas, de mar verde ou azul, como em boa parte do Nordeste brasileiro, irá se decepcionar. Por conta da grande quantidade de rios na cidade que desaguam no mar e também do mangue  - Maranhão concentra cerca de 50% dos manguezais do País – as águas são escuras.

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A praia de Calhau, apesar da água turva, é limpa
As praias do Calhau e do Meio, apesar da coloração turva, são limpas. Já Ponta D´Areia, São Marcos e Olho D´Água refletem os anos de descaso com o saneamento básico e estão, atualmente, impróprias para banho. A praia da Ponta D´Areia, mesmo poluída, vale uma visita pela vista que proporciona.  Para um bom banho de mar uma das opções é seguir até o município de São José do Ribamar, distante a 30 km de São Luís, e lá procurar pela praia de Araçagi, que fica a 19 km de centro. Por ser mais isolada, a praia é tranquila e quiosques simples de palha servem boa comida local.

Centro histórico
Ir para São Luís e não visitar o centro histórico é como o velho ditado de ir para Roma e não ver o papa. Indispensável. Passear pelas estreitas ruas de paralelepípedos é um convite a voltar no tempo e viajar na história. A começar pela Igreja Nossa Senhora da Vitória, também conhecida como Igreja da Sé ou Metropolitana, a mais antiga da cidade, de 1629.

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Imóveis centenários ficam espalhados
Outros tantos imóveis centenários se espalham pelas ruas da Estrela, das Trincheiras, Treze de Maio, Portugal, entre outras. Muitos dos casarões mostram uma particularidade da arquitetura local: as paredes revestidas por azulejos. Trazidos, principalmente, de Portugal, os azulejos foram uma forma encontrada pela amenizar o calor e a umidade dentro das casas. Atualmente, no entanto, a beleza do centro histórico ameaça ruir com os prédios, que há décadas esperam por uma restauração. “O centro velho tombado pela Unesco está literalmente tombando. Precisa de uma reforma urgente”, lamenta Samenezes, guia e morador de São Luís.
Para quem quer conhecer um pouco mais da cultura e tradição da capital, a dica é visitar alguns – ou todos, se houver tempo – os 14 pequenos museus, que vão desde o Casa de Nhozinho, dedicado a miniaturas, até museus sobre arqueologia e história dos negros. A maioria tem entrada gratuita. Os pagos, como o de Arte Sacra e o Histórico e Artístico do Maranhão, cobram taxas simbólicas, de R$ 2 e R$ 2,50, respectivamente.
O centro é ideal também para comprar as diversas lembranças prometidas antes da viagem. Há vasta opção de artesanato local, feito em sua maioria com a fibra retirada da árvore do buriti.
No fim do dia, a pedida é ir à rua da Estrela, principal via do local, que se torna ponto de encontro para uma "gelada". Saiba, porém, que os botequins são bastante simples e não servem nada muito além de bebidas. Se a ideia é fazer uma refeição, o melhor é passar antes em outro local. Mas não pense que a noite acaba quando o copo fica vazio. Cantores de reggae, forró, MPB e sertanejo se revezam pelas praças até a madrugada.

Vida noturna

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Bebidas alcóolicas típicas são vendidas nos mercados populares de São Luís
A noite na orla de São Luís começa a ficar agitada por volta das 20h e não vai muito além das 3h. A Praia do Calhau tem vasta opção de bares ao longo dos seus 5,5 km de extensão. A maioria, como explica o guia de turismo Fabiano Costa Samenezes, funciona no esquema “senta, conversa, come e paquera”. “O que o maranhense ganha durante o dia gasta na noitada”, brinca. O Adventure Beach Bar [avenida Litorânea, nº20 A, Calhau. Tel. (98) 3223-1340] é um dos mais famosos do local. Aberto sete dias por semana, 24h, tem música ao vivo das 19h às 2h. Exceto às quartas-feiras, quando o repertório é sertanejo, os clientes se divertem ao som de pop rock.
Durante o dia, a mais requisitada é a Barraca do Henrique, também na avenida Litorânea [nº 24. Tel. (98) 3233-6308]. Barraca com o nome de gente, aliás, é o que não falta na orla. Próximas a do Henrique, estão a da Marcela, do Nelson e do Felipe. Há ainda opções de bares para tribos específicas, como o Pirata Beach Bar, destinado principalmente aos forrozeiros, e o Bar do Nelson, para os regueiros.
Os mais experientes também não ficam abandonados na noite maranhense. Quem não dispensa uma boa música para dançar grudadinho pode ir ao restaurante Porto do Calhau [av. Litorânea, 60] que, todas às sextas-feiras, tem dança de salão e concentra um público acima dos 40 anos.
A avenida Ana Jansen, onde está localizada a Lagoa da Jansen, é outro ponto onde a vida noturna ferve em São Luís. Para quem procura gente bonita e bem vestida, a dica é ir ao Mandamentos Bar [Tel. (98) 8124-1500]. Com pouco mais de um ano de existência, ele ainda tem aspecto de novo. Há dois ambientes: o externo, com TVs de 50 polegadas onde todas as quartas-feiras grupos de amigos se reúnem para assistir aos jogos de futebol. E um interno, onde DJ´s e bandas se revezam no comando da noite e jovens se espremem entre mesas para curtir o som.

Onde ficar
Hospedar-se em São Luís não é das tarefas mais baratas, principalmente se o turista busca um pouco de conforto e requinte. O Solare Bellagio Hotel [rua 28, Quadra 21, Lote 1 - Ponta d´Areia. Tel (98)4009-9595] é uma das opções para quem prefere ficar na orla. Oferece quartos aconchegantes e uma pequena piscina por R$ 272 a diária para o casal. Também na praia Ponta D´Areia, mas em uma categoria mais econômica, está o Hotel Premier [av. dos Holandeses, 03. Tel. (98) 3216- 6666], com diárias a partir de R$ 126 para o casal.
O Quality Grand São Luis Hotel [Praça Dom Pedro II , 299. Tel. (98) 2109-3500] é tido como um dos mais confortáveis dentre os hotéis localizados no centro histórico. Como itens de lazer tem sala de ginástica, piscina e sauna a vapor. A diária custa a partir de R$ 289,80 para o casal.

* preços pesquisados em novembro/2010
* consulte os hotéis para saber a disponibilidade de vagas, possíveis taxas extras e formas de pagamento

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