sábado, 2 de outubro de 2010

Turismo pela morte faz sucesso em Montevidéu

Montevidéu- Ao cair da noite em Montevidéu, dezenas de rostos que não escondem a ansiedade se reúnem em frente à entrada do cemitério mais antigo da cidade, dispostos a penetrar na atmosfera da morte com um novo olhar: o do "necroturista".

Curiosos de todos os perfis e idades decidiram apostar nesta iniciativa da Prefeitura de Montevidéu, que inaugurou esta semana a primeira das visitas guiadas que percorrerão periodicamente o cemitério público mais antigo da capital uruguaia.

Construído em 1835 e ampliado em 1860 e 1868, o Cemitério Central foi concebido como um jardim cercado por arvoredos e túmulos no qual "era normal ver pessoas caminhando", explica à Agência Efe uma dos guias deste peculiar itinerário, a professora de História da Arte Marta Sírtori.

Quase 30 visitantes formam o grupo que Sírtori guiará no tour inaugural pelo cemitério, ambientado pela música de quatro mulheres que tocam violino, violoncelo, flauta e oboé em diversos pontos do local.
Junto aos motivos religiosos - como a cruz e as imagens de Jesus Cristo - e a simbologia mórbida do local há ancoras, consideradas elementos de salvação; papoulas, flores que "conduzem ao sonho eterno", e figuras que mostram "a velhice e a passagem do tempo", como os relógios de areia, indica Sírtori.

Os anjos, intermediários entre o céu e a terra, dividem espaço com símbolos maçônicos e decoração militar, "em linha com as antigas Grécia e Roma", acrescenta a guia.

Sírtori afirma que o objetivo desta proposta cultural é "realçar a arte motivada pela morte, e trabalhar com muito respeito e carinho pelas pessoas que se foram".

Entre os atentos visitantes está Marina, de 13 anos, que deixa por um instante o grupo de turistas para fotografar com sua câmera digital as diferentes formas que simbolizam a morte.


"É muito boa a ideia de visitar um cemitério desta forma", diz Marina antes de fotografar um dos túmulos que exemplifica a "nova arte funerária, de linhas mais líquidas, muito mais simples", como descreve Sírtori.

"A arte de hoje não é uma arte carregada, como a dos séculos XVIII e XIX", diz a especialista, para quem o cemitério é valioso não apenas pelas pessoas enterradas no local, mas também pelas as obras que ele abriga.

Com seus monumentos e esculturas, o cemitério relembra a rica história da capital uruguaia, e o passeio pelo local serve também para mostrar um pouco mais sobre a importante arquitetura de Montevidéu.

"Com o percurso aprendemos sobre escultores e arquitetos, pessoas que também fazem parte da nossa história", afirmou Andrea, outra das visitantes.

A rapidez com que as 100 entradas para o passeio se esgotaram foi comemorada por Sírtori, que não esperava "tanta repercussão" desta nova ideia em Montevidéu, mas que acontece há anos em outras famosas cidades espalhadas pelo mundo.

A Prefeitura de Montevidéu pretende realizar o tour em duas quintas por mês, pelo menos até maio, pois "permite uma aproximação diferente da história e cultura do país", como assinala em seu site.

 Fonte: www.viagem.uol.com.br 01/03/2009 - 10h14


 

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