segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O vendedor e a criança.

Continuo tendo razão no que tange a comparar uma criança com um vendedor; alguns não concordam dizendo que a criança não tem responsabilidades e nem experiências; outros acreditam que a experiência de uma criança está gravada em seu espírito e que em cada reencarnação, aflora o conhecimento (o que se leva após o desencarne).

A criança é um grande vendedor, começando na farta distribuição de sentimentos aos seus pais e ao ambiente que passará a viver; dia após dia nos encanta e consegue, como bom vendedor, mudar nossos procedimentos e até cancelar nossos vícios, agindo como se vendedor fosse.

Falando (ou escrevendo) em desafeto, um filho geralmente encarna numa família que ainda mantêm desafetos; virá para aprender e ensinar, mas tenha a certeza que a maior realidade está na união e na reparação de atitudes feitas em vidas passadas. Vem como um vendedor, um vendedor de felicidades porque ao “acertarmos os ponteiros”, nossa vida passa para um estágio superior e basta sermos éticos e vivermos de acordo com o que o Mestre Jesus nos ensinou e ensina que os desafetos poderão deixar de existir.

A venda em si é a relação entre pessoas, na busca da satisfação das necessidades e desejos e uma criança consegue ser o elo entre as pessoas; vende todos os dias um entusiasmo intangível, cujo preço está no retorno dos sentimentos que – seus pais – podem dar-lhe; digamos que seja um pagamento sem moeda, mas com jeito de agradecimento e enaltecimento pelo fato desta criança estar junto a eles.

Sim, uma criança é um vendedor que oferece gratuitamente seus produtos; digo gratuitamente porque nunca vi uma criança cobrar por um sorriso, por um abraço, por um papel rabiscado; vi sim uma criança agradecer por um abraço, por um beijo, por uma bala. Isto é uma troca, na venda involuntária de um sentimento.

Não quero discutir se o vendedor é nato ou inato, mas quero dizer que a criança é um vendedor em potencial e somente aqueles pais que não percebem é que poderão perder a oportunidade de ganhar – isto mesmo: ganhar – a maior das alegrias que é a oportunidade de lar um lar material a um espírito que quer encarnar.

Vender alegria pode ser fácil, mas vender do modo que uma criança consegue vender, poucos sabem e conseguem transmitir; os homens querem retorno material em troca dos seus sentimentos; querem moeda e valores. A criança quer o aconchego, o carinho e o amor das pessoas que escolheu para serem seus pais. Sua venda ultrapassa o nosso entendimento, atingindo esferas superiores e o que cobram é o mínimo para seu desenvolvimento, aperfeiçoamento e principalmente na união de desafetos, porque vivemos em um mundo de provas e expiação.

Ser criança é a maior oportunidade e a forma concreta de expressar o sentimento de Deus, que ao permitir a reencarnação, nos dá sempre novas oportunidades.

Viva as crianças.


Texto: Oscar Schild -Vendedor, gerente de vendas e escritor.

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