segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A EVOLUÇÃO DO TURISMO

Estudar a historia de nossa sociedade é entender o desenvolvimento de muitas questões, entre elas o Turismo. No inicio esta atividade era remetida à educação, de jovens aristocrata ingleses com o intuito de vivenciarem o que só conheciam por livros.
A palavra Turismo provém do latim tornare que quer dizer “dar uma volta”, voltar ao ponto inicial, é também derivada da palavra francesa tour que tem o mesmo significado, daí formou-se o termo Grand Tour, usado pela primeira vez por Richard Lassels no ano de 1970 em seu livro “Voyage of Italy” (CAMARGO, 2000).
As transformações mais importantes que impulsionaram esta atividade na era industrial foram o desenvolvimento da infra-estrutura, baseada principalmente nos transportes, na comunicação e na organização das cidades.
No século XIX dá-se início a comercialização do turismo pelo inglês Thomas Cook, quando em 1841 este organizou uma viagem de trem com o objetivo de levar um grupo para participar de um encontro anti-alcoólico, entre as cidades inglesas Leicester e Loughborough. É nesse momento que acontece a primeira excursão em todo o mundo, desse modo Cook intensifica progressivamente suas relações comerciais com a implantação da pioneira agência de viagens, a “Thomas Cook e Son” e outras empresas do ramo, tomando o turismo um novo rumo em conseqüência dessa revolução. A parti daí surgem as idéias de criar oportunidades e eventos que chamassem atenção das pessoas despertando o desejo de participarem de promoções, sendo os eventos um importante expositor, já que foram organizadas feiras e exposições de âmbito universal, Camargo, (2000, p. 50) afirma:

A montagem de pavilhões, de cidades efêmeras destinadas aos objetos e a abrir estas festas de povos, grandes eventos de massas, não apenas animaram os deslocamentos e concentração turística, mas geraram alguns sítios e monumentos significativos, como atrativos para o turismo atual. Basta citar a Torre Effel em Paris, que ressemantizou a cidade como um dos centros avançados da sociedade industrial.


Reconhecido como uma das atividades mais dinâmicas e prósperas do mundo, o turismo na segunda metade do século XX mostra-se como um dos principais setores socioeconômicos mundiais.

OS PRINCIPAIS MOTIVOS IMPULSIONADORES DA ATIVIDADE TURÍSTICA

Muitos são os motivos que impulsionaram a atividade turística como: a realização do turismo de eventos, cultural, ambiental, de lazer, etc. A pratica deste fenômeno atualmente esta diretamente ligada ao cotidiano frenético de muitos cidadãos, principalmente nos grandes centros urbanos. As pessoas vêem no turismo uma opção de “fuga”, da realidade, “hoje as pessoas viajam por que não se sentem mais à vontade, onde se encontram, seja nos locais de trabalho, seja, onde moram” (KRIPPENDORF, 2000, p. 14).
Por mais que esta ”fuga” seja momentânea, já se configura como uma alternativa para que os indivíduos possam relaxar fisicamente e psicologicamente. Viajar significa, desligar-se das dependências sociais, de nos libertar de nosso cotidiano, de viver a liberdade e procurar um pouco mais de felicidade. Acaba se tornando algo complexo, pois era através do trabalho que os indivíduos procuravam externar suas sensações, enquanto este era fruto do próprio homem, mas com o advento da revolução industrial, e agora com a globalização “o trabalho é cada vez mais mecanizado, compartimentado e determinado fora da esfera de sua vontade” (KRIPPENDORF, 2000, p. 15), e o que antes era discriminado, isto é o aproveitamento do tempo livre, se torna um fator de extrema importância, principalmente se for aliado ao turismo.

A HUMANIZAÇÃO DO TURISMO

Na atualidade a necessidade de viajar é, sobretudo criada pela sociedade e marcada pelo cotidiano. Aliado a este motivo e a outros complementadores desta atividade, o turismo já é considerado mundialmente como a segunda atividade econômica mais importante, perdendo somente para a industria de armamentos.
Tornou-se tão importante em nosso mundo contemporâneo que aos poucos percebe-se um maior interesse científico e técnico neste fenômeno, e se tornando cada vez mais distante os preconceitos que haviam sobre os estudos realizados. Toda uma estrutura deve ser planejada para atender a atividade turística, que conta com instalações de equipamentos, transporte, rede de água e esgoto, energia elétrica, comunicação, etc. Com essa infra-estrutura pronta para atender o turista, se estabelecem os empreendimentos privados, com suas empresas no ramo de agencias de viagens, hotéis, equipamentos de lazer e os parques temáticos.
Tudo isso requer um grande investimento na economia, deixando claro a capacidade que o turismo tem de ser um multiplicador econômico, com conseqüência direta na geração de emprego e renda, principalmente para a localidade que o incentiva. Com isso, o turismo ajudaria a diminuir as desigualdades regionais que existem principalmente nos paises do terceiro mundo.
No que tange ao planejamento da atividade o Estado possui papel de extrema importância, já que é o grande norteador desta atividade, através de suas ações, planos e programas. Sabe-se que o turismo consegue mobilizar no campo econômico vários setores, consegue investimentos na infra-estrutura do local, podendo diminuir as desigualdades regionais, com a geração de emprego e renda para a população, desta forma não podemos negar que os efeitos do turismo podem ser extremamente positivos.
Mas o que percebemos é que esta atividade veio se desenvolvendo sem o devido planejamento, ou seja, de forma aleatória sem considerar muitas vezes a população local, o meio ambiente, o próprio turista, etc.
Neste sentido surgem varias discussões desenvolvidas em todos os setores sociais que lidam diretamente com esta atividade, o que se deseja agora é o desenvolvimento de forma planejada que possa atingir de maneira positiva todos aqueles envolvidos no processo. Nesta busca o “Turismo Sustentável” e suas diretrizes podem direcionar as novas formas de se desenvolver um turismo mais humanizado.
Este desenvolvimento deveria seguir em uma escala de prioridades “caberia desenvolver formas de turismo que tragam a maior satisfação possível a todos os interessados, população local, turistas e empresas de turismo, mas que não estejam ligados a inconveniências inaceitáveis, sobretudo nos níveis ecológico e social” (KRIPPENDORF, 2000, p. 137).
Não se pode mais centralizar o turismo exclusivamente nas finalidades econômicas e técnicas, deve-se respeitar o meio ambiente, e levar em conta as necessidades de todos. Em outras palavras uma política do turismo que respeite o ser humano e o meio ambiente deve buscar o seguinte objetivo principal: assegurar e otimizar a satisfação das múltiplas necessidades turísticas dos indivíduos de todos as camadas sociais no âmbito das instalações adequadas e num meio ambiente intacto, levando em consideração os interesses da população autóctone (KRIPPENDORF, 2000, p. 138).

Sabemos que não é uma tarefa fácil de ser cumprida, pois como poderemos transformar essa imensa maquina? Não podemos nos iludir e acreditar em milagres, devemos sim, acreditar em um bom trabalho desenvolvido que possa beneficiar da melhor forma possível todos aqueles inseridos no setor.

MERCADO DE TRABALHO

Com a globalização e o avanço da tecnologia surge o aumento de ofertas de produtos turísticos, fabricadas com maior qualidade, este fato acarreta na concorrência entre os produtores e exigências que conduziram as empresas a adequarem-se aos novos tempos, mas para que tudo isso ocorra é preciso ter uma boa administração de marketing que garanta a satisfação do cliente, pois hoje este não quer apenas ser feliz, mas sim, desfrutar desta felicidade.
O desenvolvimento tecnológico dos transportes nas ultimas décadas, e o maior tempo livre, além de melhores condições financeiras das pessoas, faz com que estas procurem evadir-se dos centros, procurando livrar-se do stress do dia a dia e ficar de bem com a vida e com o bem estar físico e mental, com isso alteram o setor turístico, resultando em um aumento de pessoas que viajam e o desenvolvimento da infra-estrutura e equipamentos turísticos, assim inicia-se uma nova realidade, com novos produtos no mercado que venham atender cada vez mais os turistas, e para isso as empresas segmentam o mercado com produtos personalizados a um preço acessível.
O desenvolvimento sustentável e a questão da educação ambiental estão presentes em vários setores, principalmente no setor turístico. O turismo sustentável esta presente em todas as novas orientações turísticas, mas embora notamos seus resultados, ainda sim é permitido a construção de hotéis de luxo em pico de montanhas, indo de contra as legislações ambientais.
Devido o turismo ser um produto complexo de ser comercializado, devemos determinar o tamanho de cada segmento de turismo ou hospitalidade e viagens que pretendemos trabalhar, neste sentido a segmentação enfatiza mais o mercado e não o setor de atividades, sendo esta uma estratégia de marketing, usada pela administração de bens e serviços, que com o uso desta estratégia torna possível conhecer, os destinos, o perfil do turista, os tipos de transportes, etc. Essa segmentação de mercado irá variar de empresa para empresa e com o tipo de produto que ela comercializa.
Muitas pessoas não viajam por questões econômicas, por limitações físicas ou até por falta de tempo, esse fator é bastante negativo e interfere na quantidade final dos negócios e devem ser consideradas nas segmentações do mercado turístico.
Para que uma empresa tenha um bom desempenho no mercado de trabalho é preciso que esta na sua administração de marketing, faça uma profunda pesquisa para saber o que realmente o mercado esta pedindo, assim esta poderá atingir o seu publico alvo satisfazendo seus clientes e garantindo a qualidade e fidelidade de seus produtos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desde a Revolução Industrial o mundo passou por diversas transformações, no campo econômico, social, político e moral, estas mudanças para o ser humano causaram importantes impactos que modificaram os relacionamentos em sociedade, assim causando uma modificação de valores, que geram confusões e situações diversificadas, mas que o homem tenta se adaptar. Neste sentido a ética surge como norteadora desses novos valores morais.
Na atividade turística a ética também expressa importante papel, pois sugere as ações que devem ser desempenhadas para o andamento positivo desta atividade.
Mas devido o crescimento acelerado do turismo, onde problemas sociais, como a degradação do meio ambiente e o desrespeito com as populações locais e com o próprios turistas, surgiu a necessidade de criar códigos que elaborassem leis pautadas no turismo sustentável como o CÓDIGO MUNDIAL DE ÉTICA DO TURISMO que teve sua aprovação no ano de 1999 e o CÓDIGO DE ÉTICA DO BACHAREL EM TURISMO também no mesmo ano.
Com esta nova regulamentação todos os setores do turismo tiveram que promover diversas adaptações, que atingiu vários setores, como o institucional que percebendo a importância da atividade para a economia, regula suas ações promovendo o seu desenvolvimento, e as empresas privadas que devem cumprir tais normas e reconhecer o valor do Bacharel em turismo, já que esta, principalmente é conhecida por oferecer salários baixos e más condições de trabalho a seus empregados.
O turismo sustentável deveria oferecer empregos permanentes, pois ajudaria a desenvolver uma carreira com renda garantida constante e periódica. Muitas empresas oferecem serviços aos bacharéis em turismo que qualquer outra pessoa o faria, como reservas de passagens aéreas por computador ou recepcionista de um hotel, isso faz com que aja uma certa insatisfação no trabalho, contribuindo para alta rotatividade dos empregados. Mas também o turismo tem seu lado positivo, comparado com outras indústrias, já que este cria grande número de empregos, dá oportunidade a pessoas jovens entre outros. “Será difícil conceber a forma pela qual poderemos desenvolver um turismo verdadeiramente sustentável e socialmente justo” (KRIPPENDORF, 2000, p. 39).

REFERÊNCIAS
 
CAMARGO, L. H. Fundamentos multidisciplinares do turismo: história. In: TRIGO, Luís Gonzaga Godoy (Org). Turismo como aprender como ensinar. São Paulo: Senac, 2000.
KRIPPENDORF, Jost. Sociologia do Turismo: para uma nova compreensão do lazer e das viagens. São Paulo: Aleph, 2000.
MORIN, Edgar. Ética, cultura e educação. 2º edição.São Paulo: Cortez, 2003.
SUNG, Jung Mo; SILVA, Josué C. da. Conversando sobre ética e sociedade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

Autoras: Aline Ísis Santos da Silva e Jisleyangela Freitas Cid Estudantes do Curso de Bacharelado em Turismo da UFPA

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