sábado, 2 de outubro de 2010

URUGUAI - Al Otro Lado del Río



O compositor Jorge Dexler escreveu, na canção Al Otro Lado del Río: "Venho de um prado vazio/um país com nome de rio/ um paraíso esquecido/um campo ao lado do mar". Os versos são muito precisos para explicar este país ao sul do nosso. Um "prado vazio": dos 3 milhões de habitantes, metade mora na capital, Montevidéu. Saindo dela, você encontrará cidades com menos de 100 mil pessoas, num ritmo tranqüilo, de quem acorda cedo pro chimarrão (quente e amargo) e sabe encontrar, mesmo entre mil afazeres, um bom tempo para um bate-papo.
          O "nome de um rio": é o próprio Uruguai, que delimita a fronteira com a Argentina. A palavra "uruguai", por sua vez, vem do guarani e significa "rio de pássaros". Outro responsável pela identidade é o Rio da Prata, que dá horizonte de mar à capital e se abre para o Atlântico na altura de Punta del Este, um dos mais famosos balneários da América do Sul e é apenas a primeira praia de uma costa lindíssima. Estamos mesmo em um "campo ao lado do mar", que reúne, num território pequeno, as belezas do litoral e do interior, com muitas pitadas de história (lembre-se, as missões também passaram por ali, e a primeira cidade foi Colônia do Sacramento, de 1680, fundada por portugueses).

MONTEVIDÉU
 

A antiga cidade de São Felipe e Santiago de Montevidéu, fundada por espanhóis, sofre para encontrar títulos incontestes. Não tem o apelo turístico de Buenos Aires e já perdeu o glamour de ter sido, um dia, a capital da Suíça das Américas como foi conhecido o Uruguai nos anos 50 e 60. Com 1,5 milhão de habitantes (metade da população do país), tem o charme das pequenas cidades, a melancolia das capitais latino-americanas e um inegável ar europeu. Sem falar do tango, das carnes, dos vinhos, das lãs, do dulce de leche...
Aqui todos os públicos se encontram, no teatro, no bar, na feira, no shopping. Seja para reclamar atividade na qual os orientais (como se chamam e são chamados os uruguaios), com um humor ácido e sarcástico, são craques, seja para dividir a cidade onde moram. O melhor cenário para encontrá-los, chimarrão à mão, e se misturar a eles, é a rambla, a avenida de 22 quilômetros que liga o porto ao arroio Carrasco. Ela margeia o Rio da Prata, que àquela altura tem largura de mar e cor de rio. Mas dá praia, de águas limpas e areia fina, como na altura do bairro Pocitos e Punta Carretas, onde há também barzinhos e restaurantes, abertos dia e noite. A rambla, aliás, é excelente ponto de referência na cidade. Perdido? Procure o mar (ops!, o rio) no horizonte e desça. Você vai querer é ficar por ali mesmo.
Importante: jamais discuta com um uruguaio sobre a possibilidade de Carlos Gardel, o grande ícone do tango, ser francês. Uruguaio que se preze vai defender, até a morte, que o cantor de "El día que me quieras" nasceu por lá mesmo, no interior, em Tacuarembó.

Por: Guilherme Poças - Supervisor CMVC

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