segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tudo é o jeito como se fala


Sexta-feira, 6:10am, ponto final do S-13, em Bangu.
Filas de pessoas esperando para ir sentadas nos ônibus, todos cansados desta semana que está acabando e doidos para chegarem logo no trabalho e não tomarem esporro do patrão, mas ao mesmo tempo, procurando um pouco de descanço tentando ir nos ônibus mais confortáveis e sentado na viagem de aproximadamente 1 hora até o centro.

Depois de uns 15 minutos esperando na fila, finalmente chega a nossa vez. Depois de passar pela roleta, sento logo no primeiro banco, próximo ao cobrador e ouço ele dizer “tem que mostrar a camisa”. Olho para frente tentando entender o que está acontecendo e vejo um cara com o RioCard de colégio usando casaco. Ele tenta puxar um pedaço da camisa, com cara de raiva para o cobrador, que repete a frase grosseiramente. O passageiro fica ainda com mais raiva e o cobrador tenta diminuir a situação dizendo “o fiscal anda reclamando muito, tem que mostrar”. O cidadão puxa com raiva a camisa para cima, mostrando o símbolo do colégio e passa na roleta. Resultado, ambos ficaram com raiva.

Cena 2:

No mesmo ônibus, pouco tempo depois, um indivíduo senta no banco antes da roleta, vira para o cobrador e pergunta muito educadamente se poderia pagar a passagem, rodar a roleta e descer pela frente. Desta vez, o cobrador fica meio sem reação e mesmo assim responde meio grosso que ele apenas poderia descer por trás, mas havia mudado um pouco com a educação do passageiro. E o cidadão retruca “é que eu vou operar hoje, não posso fazer muito esforço” e mostra a papelada de hospital com tudo da operação sem se levantar do banco. Desta vez o cobrador, com a voz já muito mais calma e compreensiva responde para ele ficar tranqüilo, que vai pedir para o próprio fiscal rodar a roleta no ponto para ele descer pela frente.
Agora vamos pensar um pouco, se o cobrador soubesse falar mais educadamente, tirando a culpa dele desde o início da Cena 1, exemplo “Ih cara, olha só, o fiscal está reclamando muito de gente que entra no ônibus sem camisa do colégio com RioCard de estudante, agora tem que mostrar legal a camisa. Senão depois ele me ferra, tudo bem?” ele teria evitado um desgaste de ambos alí, assim como se tivesse sido educado desde o início, não teria “quebrado a cara” com o segundo indivíduo, que iria operar…

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