quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Hotel com nome de roupa


As grandes grifes do mundo da moda
estão agora colocando suas etiquetas
no setor hoteleiro de alto luxo 
Texto: Ruth Costas - Veja on Line 21/04/2004

 
Fotos divulgação
Projeto de um dos seis hotéis idealizados pela joalheria Bulgari: estilo e diárias a partir de 700 dólares
Das vitrines e passarelas para os roteiros de viagem de turistas endinheirados: empresas do primeiro escalão da indústria da moda estão estreando em grande estilo no setor hoteleiro. Mais especificamente, no ramo de hotéis de superluxo. As italianas Salvatore Ferragamo, Versace e Diesel já espetaram suas etiquetas em estabelecimentos charmosos. Outro italiano, o estilista Giorgio Armani, acertou recentemente uma parceria de 1 bilhão de dólares com uma empreiteira dos Emirados Árabes Unidos para criar uma rede de dez hotéis e quatro resorts. Ele promete cuidar pessoalmente da decoração. A joalheria Bulgari, também italiana, e a rede hoteleira americana Marriott vão construir seis hotéis e dois resorts, ao custo inicial de 140 milhões de dólares. O primeiro deles, com vista para o jardim botânico de Milão, será inaugurado neste ano. A investida hoteleira segue a tendência de diversificação das grifes de luxo. Hoje, nas grandes capitais da Europa e nos Estados Unidos, quem estiver disposto a desembolsar 30 dólares por uma caixa de bombons pode presentear um amigo com uma porção da Armani Dolci. Ou 100 dólares por um perfume Bulgari.
 
O hotel Palazzo Versace, na costa australiana: 277 suítes, spa de luxo e marina particular
O primeiro hotel com a decoração assinada por Giorgio Armani terá 250 suítes e será instalado no Dubai, um emirado com praias paradisíacas e 363 dias de sol por ano. As outras unidades da rede serão construídas em grandes cidades, como Milão, Londres, Nova York, Tóquio e Xangai. Referência em design de sapatos, a Ferragamo possui quatro hotéis em Florença. O mais recente, chamado Continentale, foi aberto no início do ano com a proposta de ser "chique, contemporâneo e inteligente", como os calçados da grife. No Pelican Hotel, o hotel da Diesel em Miami Beach, as suítes são decoradas cada uma de um modo – mas sempre extravagante. Recebem nomes inusitados, como "Garota Psicodélica" (um quarto vermelho com cadeiras em forma de coração) e "Uma Fortuna em Alumínio" (com desenhos prateados nas paredes). Já o hotel Palazzo Versace, construído em 2000 na costa australiana, aposta na opulência. Com 277 suítes, combina o estilo pomposo do renascimento europeu com elementos da arquitetura clássica.
 
Quatro hotéis no centro de Florença: vista para a Ponte Vecchio e lençóis de algodão egípcio
Cristais e porcelanas utilizados no dia-a-dia do hotel – todos criados pela Versace – são vendidos numa butique anexa. Como sempre, a preços altos. "Quem paga 6.000 reais num terno Armani pagará sem problemas 1.000 ou 2.000 pela diária de um hotel", diz Abel Alves de Castro, da BSH International, consultoria que ajudou a desenvolver o projeto para o hotel do designer francês Philippe Starck no Rio de Janeiro. Associar um hotel recém-inaugurado a nomes que são sinônimo de requinte e qualidade economiza esforços em estratégias de construção de imagem. Em geral, os hóspedes tendem a esperar que um hotel com o nome Bulgari seja tão espetacular quanto as jóias da grife. "As investidas em hotéis de luxo funcionam como mais uma estratégia de marketing: abrem um novo canal para que as grifes cheguem até o público", disse a VEJA o canadense Jeffrey Swystun, diretor da consultoria Interbrand, que faz, anualmente, um ranking com as marcas de maior prestígio no mundo. "Como só se associam a grupos com experiência no setor hoteleiro, as grifes diminuem o risco de ter sua imagem ligada a produtos de baixa qualidade."
 
O Hotel Pelican, em Miami Beach, sob a chancela da grife italiana: cada quarto tem uma decoração diferente

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