segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Conheça: Israel

Por: Viaje Mais / Natália Manczyk
Sexta-feira, fim de tarde. Um anoitecer nada comum, sem o trânsito e a buzina habitual desse horário nas principais cidades cosmopolitas. Em Israel, as noites de sexta são caracterizadas pela ausência de carros nas ruas e pelas lojas e restaurantes fechados. Na mais importante cidade e capital do país, Jerusalém, uma multidão se concentra, nesse período, em um dos lugares mais famosos do mundo: o Muro das Lamentações. O local é o mais sagrado para o judaísmo por se tratar do vestígio mais próximo do Templo Sagrado, destruído em 70 d.C. A apenas alguns metros de lá estão também os mais importantes símbolos religiosos para os cristãos e muçulmanos: o Santo Sepulcro e  o Domo da Rocha, respectivamente. São justamente as construções históricas e sagradas para as várias religiões que fazem de Jerusalém um destino especial.


Tel Aviv

Israel, em apenas 450 km de comprimento e 120 km de largura, consegue reunir mais de 3.000 anos de história. A pequena área o país fácil de ser explorado por inteiro – em cerca de seis horas dá para atravessá-lo de norte a sul. Mas engana-se quem pensa que por causa do tamanho há pouco o que ver. Israel concentra paisagens das mais variadas.

Cultura
Domo da Rocha

Jerusalém impressiona pela maneira como reúne a história e a cultura das três principais religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Com um quilometro quadrado de área, a Cidade Antiga, cercada por muralhas com grandes portões, concentra os mais importantes símbolos religiosos para as três religiões: o Muro das Lamentações, vestígio do Templo Sagrado; o Domo da Rocha, onde, para os muçulmanos, Maomé ascendeu ao lugar sagrado, e o Santo Sepulcro, local em que Jesus Cristo ressuscitou no Domingo de Páscoa.
A Cidade Velha é dividida em quatro quarteirões (judaico, cristão, muçulmano e arménio), acessados por sete portões. Ali é incrível a mistura de pessoas de diversas crenças e a variedade de manifestações religiosas. As muralhas que cercam a parte antiga são do século 16 e estão localizadas entre três leitos de rio que dão proteção natural à cidade. Na região, a história está por todos os cantos, o que faz da área um grande museu a céu aberto.
A história de Jerusalém remete aos períodos da construção e reconstrução do Templo. Assim, em meio à Cidade Antiga, o visitante se depara com escavações que mostram ruínas do período do Primeiro Templo, construído há cerca de 3 mil anos e destruído pelos babilónios em 586 a.C. O santuário foi erguido onde hoje está a Cidade de Davi, parque arqueológico próximo à Cidade Velha, que vale conhecer por trazer a história de Jerusalém e dos judeus nos tempos bíblicos. 70 anos após a destruição do Templo, os judeus que voltaram do exílio reconstruíram-no. Foi reformado por Herodes e destruído novamente em 70 d.C. pelos romanos.


Ruínas do complexo nas montanhas

As ruínas da Esplanada do Templo podem ser visitadas no quarteirão judaico de Jerusalém. Lá estão vestígios como as áreas para banho (mikvê), portas dos mercados, paredes e pisos. O interessante em Israel é que as visitas a esses locais tão antigos são acompanhadas por modernos filmes explicativos ou maquetes interativas. Na Esplanada do Templo, além de um filme, há uma apresentação computadorizada que mostra em 3D a área no período antigo.
No mesmo quarteirão fica o Kotel, como é chamado o Muro das Lamentações em hebraico. É sagrado por ser a parte remanescente mais próxima do Templo. Está lotado em todas as horas do dia, mas é no Shabat, dia de descanso no judaísmo (vai do pôr do sol de sexta-feira até o pôr do sol de sábado) que ele adquire um significado especial.
Lá dá para observar as mais diferentes manifestações culturais e espirituais do ser humano. O burburinho das rezas de dezenas de judeus ortodoxos mistura-se à intensa cantoria dos festejos de Bar Mitzvas (maioridade religiosa, que começa aos 13 anos no caso de meninos e, aos 12, para meninas). É difícil não ver lágrimas em homens, mulheres, crianças e idosos, judeus que se emocionam por ver e rezar no mais importante local para o judaísmo. Entre as pedras do muro, milhares de papeizinhos com rezas e pedidos em todas as línguas completam o cenário de fé do Muro das Lamentações.

Gastronomia
Flafel

Apesar dos vários atrativos da parte antiga, a cidade nova não deve ser deixada de lado. Bem movimentada, conta com modernos hotéis, shoppings, bairros residenciais de alto padrão e áreas comerciais, como a turística Rua Ben Yehuda. No calçadão estão cafeterias, lojas de roupas e de souvenires, casas de câmbio e lanchonetes com comidas típicas. É o local ideal para passear em um fim de tarde e comer um sanduíche de   ao som das músicas dos vários artistas de rua que tocam por lá.
A comida em Israel é, em maioria, kosher, ou seja, segue leis alimentares do judaísmo. Entre elas, estão a proibição de comer carne e qualquer laticínio na mesma refeição. Assim, será difícil encontrar um cheeseburger ou um spaghetti com molho à bolonhesa e queijo ralado nos restaurantes. No Mc Donald's, os sanduíches originalmente vêm apenas com a carne, mas, por se tratar de uma rede internacional, há a opção do queijo como extra. Lembre-se também: em Jerusalém, o dia de descanso, o Shabat, vai do entardecer de sexta-feira até o fim da tarde de sábado. Nesse período, é impossível encontrar estabelecimentos comerciais abertos.
Diferentemente do Brasil, no dia de folga nem supermercados e farmácias abrem as portas. No Shabat também não funcionam os ônibusshoppings, estações de trem e rodoviárias é feita uma revista em bolsas e sacolas. Mas nada além da revista feita no Brasil no acesso a agência bancárias.

Roteiro

Passeio de dromedário

No centro, ficam as mundialmente conhecidas Jerusalém e Tel Aviv. No sul, está o turístico balneário de Eilat, famoso pelas praias, pela badalação e pelas atividades aquáticas; a leste está o deserto da Judéia, região do Mar Morto, e, no norte, estão locais como as disputadas colinas de Golan, a sagrada cidade de Nazaré, o Mar da Galileia e o Monte Hermon que, situado a 1.296 m acima do nível do mar, abriga uma estação de esqui. Além do contraste de paisagens diversas, no país impressiona também a mescla de tradição e modernidade, evidente nas moradias, estradas, hotéis e pontos turísticos.


Jerusalém na época do Segundo Templo

A cidade de calcário
Jerusalém é a cidade mais visitada por sua importância histórica, religiosa e política. Além disso, o cenário também é responsável por todo o encanto e magia contidos na região. O dourado da famosa cúpula do Domo da Rocha se sobressai na tonalidade bege que toma toda a cidade.  Pela lei, todas as construções devem ser em rocha calcária, o que torna Jerusalém uma das mais peculiares cidades do mundo. A beleza se completa durante o pôr do sol, quando o reflexo dos raios solares sobre as pedras brancas derrama tons de rosa na capital. Quem fizer o trajeto do norte do país a Jerusalém terá um passeio recheado de história. Passa-se por Samaria e pelo deserto da Judeia, onde moradias beduínas e rebanhos de cabras e ovelhas fazem os visitantes voltarem no tempo. No trajeto, pega-se também a estrada de Jericó, por onde era transportado o sal no período da invasão romana em Israel.


Mar Morto

Dia de beduíno
Jerusalém é uma cidade bem central. De lá dá para seguir para outros pontos do país sem gastar muito tempo. A apenas cerca de meia hora, para o leste, fica o Mar Morto e a montanha de Massada, no deserto da Judeia, onde dá para se divertir em passeios sobre dromedários. Cercada de penhascos e de terreno irregular, Massada era uma fortaleza judaica no período dos macabeus (cerca de 150 a 76 a.C.) e foi ampliada e reforçada por Herodes no período de 37 a.C. a 31 a.C.
Lá se estabeleceram grandes palácios, cisternas, estoques para comidas e casas de banho inclusive com aquecimento. Em 72 d.C., os romanos destruíram Massada após a conquista de Jerusalém. Diz-se que ao saberem da aproximação do exército romano, os cerca de 960 judeus que habitavam a fortaleza fugidos da capital praticaram suicídio coletivo para não serem torturados ou escravizados pelos invasores.
As ruínas de Massada podem ser acessadas por um teleférico, mas grande parte dos visitantes prefere chegar por uma trilha íngreme construída pelos romanos para invadir a fortaleza. Para o trajeto, chegue bem cedo, leve muita água (caminhar no deserto não é fácil) e fuja do sol do meio-dia. Uma boa é se programar para assistir ao nascer do sol do alto da montanha. Além de a temperatura de madrugada ser mais agradável, a vista vale o esforço. Vê-se o amarelado quase infinito do deserto rompido apenas pelo azul do Mar Morto ao fundo, quase na linha do horizonte.
Depois da visita às ruínas, dá para seguir para o Mar Morto que, situado 411 metros abaixo do nível do mar, é o ponto mais baixo da Terra. É realmente bem divertido flutuar nas águas mais salgadas do mundo. Mas devem ser tomados alguns cuidados como entrar de chinelo para não se machucar com as pedras de sal ao fundo e não permanecer mais de quinze minutos na água.
Aproveite o momento relax para se lambuzar com a lama preta medicinal da região e visitar as lojas de cosméticos que vendem ótimos produtos feitos com lama do Mar Morto. Quem preferir um tratamento intensivo pode ficar em um dos vários spas ou nos luxuosos hotéis da “beira-mar”.

Galileia

Além do deserto, outra região que vale visitar é a Galileia que, compreendida entre as fronteiras do Líbano, Jordânia e Síria, é extremamente sagrada não só para os judeus como para os cristãos, já que foi palco de três importantes acontecimentos bíblicos: o Sermão da Montanha, a multiplicação dos pães e dos peixes e a caminhada de Jesus sobre as águas do Mar da Galileia – que, na realidade, trata-se de um imenso lago situado a 216 metros abaixo do nível do mar. O lago Kneret, como é chamado na Bíblia, ganhou a classificação de mar, pois, em certos períodos do ano, os ventos são tão fortes que fazem levantar ondas de cerca de quatro metros de altura.


 Tel Aviv

A cosmopolita Cidade Branca
Outra cidade que está na faixa do Mediterrâneo é a famosa Tel Aviv, centro econômico e cultural de Israel. Depois de conhecer tantas atrações históricas, chegar em Tel Aviv é uma surpresa: vê-se uma a típica metrópole, com shoppings, arranha-céus, muitos bares, restaurantes e uma vida noturna intensa. Durante o dia, a extensa praia é bastante animada, com gente de todas as idades fazendo exercícios ou passeando com os cachorros pelo calçadão.
Tel Aviv foi fundada em 1909 nos arredores de Yafo, cidade portuária com mais de 4 mil anos de história. Em 1950, as duas foram fundidas em um único município: Tel Aviv-Yafo. No passeio pelo Centro Histórico de Yafo passa-se por ruelas do pitoresco quarteirão dos artistas, por um centro para turistas com diversos restaurantes e por souqs com artigos orientais. É interessante conhecer a praça onde está a escultura de uma baleia lembrando a história bíblica de Jonas (o profeta teria embarcado no porto de Yafo), além de visitar o mercado de pulgas, com artigos de segunda mão, e comer na tradicional padaria Abouelafia, datada de 1879.

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