quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Adivinha qual é este lugar?


REVISTA O2 – EDIÇÃO 16
Fonte: Agência Central de Intercâmbio
R. Emília Marengo, 614 – Tatuapé. Tel: (11) 6671 8822


Adivinha qual é este lugar: a praia tem pedras redondas e brancas, o mar é de água cristalina que varia de tons de verde a azul, os pinheiros deixam um aroma refrescante no ar e os vinhos são deliciosos. É o Paraíso? Bem, você pode até chamar assim, mas os moradores daquele local usam outro nome: Croácia.

Sim, você leu direito. A Croácia pode parecer um lugar remoto, inóspito, que lembra guerra, mas não é bem assim. O país foi um campo de batalha na época em que a antiga Iugoslávia se despedaçou em várias nações. Mas hoje é um lugar tranqüilo, de lindas praias, parques exuberantes, pessoas bonitas e simpáticas, bons vinhos e mais barato que a maioria dos países da Europa Ocidental. E não fica tão longe: está de frente para Itália, apenas com o mar Adriático ao meio para dar o tom azul às águas que no lado italiano banham a riviera de Fano e, do lado croata, servem de fundo para praias e ilhas de mata verde e pedras brancas.

Croácia de todos os povos
Uma das formas históricas de chegar à Croácia é atravessar o Adriático, saindo de Ancona, na Itália, e chegando a Split. Esse caminho foi feito por gregos, romanos, franceses, húngaros, austríacos, bizantinos e turcos, que durante séculos disputaram cada porção de terra de uma área geograficamente estratégica entre o Oriente e o Ocidente. E todos deixaram marcas que depois foram incorporadas à cultura dos eslavos croatas, donos daquelas terras.

Os croatas também não passaram despercebidos para os outros povos. Um sinal disso é um dos acessórios mais utilizados pelos homens hoje: a gravata. Durante a Guerra dos 30 Anos, no século 17, os soldados croatas contratados para lutar no exército francês usavam um lenço amarrado no pescoço. E a moda pegou. O nome “gravata” é a latinização da palavra “croata” ( hrvat). Aliás, Croácia se escreve Hrvatska, na língua deles. Complicado até de ler, né? Mas nem se preocupe em aprender croata para se comunicar por lá. Felizmente, o país aposta no turismo para se recuperar da crise econômica gerada pelas guerras e a maioria das pessoas fala um pouco de inglês, italiano, alemão ou francês.

Split, o começo de tudo
Split é uma ótima porta de entrada no país. A cidade encanta por suas casas de pedras brancas, seus bulevares, suas ruas estreitas e sem carros onde pequenos restaurantes, lojas, tabacarias e bares dividem calmamente a sua atenção. Afinal, não precisa ter pressa para conhecer a cidade, cujas atrações se concentram dentro e ao redor do Palácio de Dioclesiano, construído pelo imperador romano para desfrutar dias de descanso. Hoje o palácio guarda muito pouco de sua arquitetura original, pois foi usado como um gueto no século passado e, literalmente, remontado para formar pequenas casas, como se fosse feito de peças de Lego.

Surpresas na cozinha
Do palácio, sobraram quase intactos uma catedral (que era o mausoléu de Dioclesiano), a torre do sino (de onde a vista da cidade recompensa o esforço da subida), algumas colunas, parte das muralhas e os quatro portões, de ouro, prata, bronze e ferro. Os metais existem apenas no nome, mas servem como ponto de referência. Próximo ao portão de ouro, por exemplo, fica um dos restaurantes mais charmosos da cidade, a Pizzeria Zlatna Vrata.

Apesar do nome, as pizzas são coadjuvantes no cardápio italiano de ótimas massas e entradas imperdíveis como o presunto defumado (prsut) da Croácia. Comida típica também é servida nos konobas ( tavernas) da rua Senjska, que geralmente passam despercebidos pelos turistas, mas são os preferidos dos moradores de Split. A culinária croata foi influenciada por todos os povos invasores, principalmente por italianos (romanos) e turcos, e reserva boas surpresas nos pratos de nomes mais estranhos.

Hora de manter a forma
Para queimar as calorias e oxigenar a mente, siga pela rua Senjska morro acima, até os caminhos e pequenas estradas do parque Marjan. É uma agradável corrida de 7km pela estradinha que circunda o parque, passando por uma capela e por cavernas onde viviam monges . Se preferir trilhas na mata, prepare-se para um desnível de até 178m no monte Telegrin, de onde você tem a melhor vista da costa e das ilhas próximas. No fim da corrida, uma recompensa: áreas para tomar um banho de mar entre as pedras e cafés para sentar, conversar e apreciar a paisagem.

Depois de conhecer a cidade, vale adotar a estratégia dos moradores do local, que é acordar cedo e pegar um barco para explorar uma das ilhas próximas, como Solta, Hvar, Brac, Vis ou Korcula. A maioria fica de 30 minutos a uma hora de Split e o transporte custa o equivalente a 10 reais. A ilha de Solta é a mais próxima, mas sem muita graça. Hvar é o local com turismo mais desenvolvido, mas que ainda preserva seu charme e um delicioso aroma dos campos de lavanda. Korcula chama atenção por sua cidade fortificada e por ser, segundo os croatas, o local onde nasceu Marco Pólo, aquele que “descobriu” a China para os europeus.

Bol, a praia mais linda da Croácia
A praia mais bonita está na ilha de Brac, na cidade de Bol, e se chama Zlatni Rat, que significa “cabo dourado”. A praia é em forma de seta, com mar dos dois lados e pinheiros ao centro.

A maior surpresa em Zlatni Rat é que as pedras são aconchegantes até para deitar e tomar sol. Claro que existe um truque: usar toalha em vez de canga. O mar é tão calmo que, se não fosse por seu tamanho infinito, seria confundido com uma piscina.

As praias vizinhas servem de base para atividades marítimas como mergulho, windsurf, passeios de barco e até de pedalinhos. As praias são curtas, então não encorajam quem gosta de correr, mas o caminho cercado de pinheiros do centro de Bol a Zlatni Rat – praticamente plano e com pouco mais de dois quilômetros – é freqüentado pelos amantes de uma vida saudável. Só cuidado para não perder o fôlego com a visão do encontro dos rochedos com o mar entre as árvores da trilha.

Para quem quiser ficar em Bol, uma opção mais barata é procurar o escritório de informação turística e alugar um quarto em uma casa ou um pequeno apartamento com cozinha. Isso pode ser feito em qualquer cidade da Croácia.

A noite promete
Para quem ficar hospedado em Split, voltar de barco para o continente vendo o pôr-do-sol é um espetáculo a mais. Na primavera e no verão, os dias são claros até quase às 21horas, o que permite que o céu mude do azul para amarelo, laranja, vermelho e arroxeado antes de a noite chegar. E a noite de Split é uma das mais agitadas da Croácia. Na cidade, as praias Bacvice, Zvoncac e Jezinac servem de cenário para os bares e boates – algumas com pista de dança ao ar livre – que reúnem croatas e turistas para beber, bater papo, dançar, conversar e paquerar.

Vis, a ilha de pescadores
Se você procura calmaria, seu destino é Vis, a ilha habitada mais distante da costa e que, até 1989, era inacessível ao turismo por razões militares. Não é tão proveitoso conhecer a ilha em um passeio de um dia apenas, pois só o barco de Split a Vis demora duas horas e meia no trajeto.

Vis tem ótimos restaurantes e um clima de pequena cidade com casas de pedra à beira do mar. Vale a pena alugar uma lambreta ou carro para chegar às praias mais bonitas, como Srebrna. Olhando o mapa da ilha, dá vontade de conhecer os lugares a pé. Mas a aventura envolve subir e descer morros íngremes de quase 700m.

O encanto azul de Bisevo
Do outro lado de Vis está uma das melhores surpresas do passeio. De Komiza, uma vila de pescadores barbudos, saem barcos para a ilha de Bisevo, onde fica uma pequena gruta. Em um dia claro e com sol, o buraco nas pedras fica preenchido por uma luz azul que emerge da água cristalina, o que deu ao lugar o nome de Gruta Azul.

O melhor lugar de Komiza para jantar é a taverna Bako, com um nome que faz jus ao deus romano ao servir o bom vinho da casa. O vinho croata é uma agradável surpresa. Apesar de pouco conhecido (em parte porque a produção não é grande o suficiente para abastecer o mercado de exportação), mais de 300 vinhedos croatas conseguiram registrar sua área geográfica como regiões de origem controlada, um certo símbolo de status entre os vinhos de todo o mundo. Na hora de escolher a garrafa, siga as indicações dos croatas e prefira os brancos da ilha de Korcula e os tintos de Peljeski.

O nome do restaurante não é uma homenagem ao deus Baco, mas ao fundador da taverna, um extravagante mergulhador e caçador de tesouros. Do fundo do mar, Bako trouxe alguns dos itens da decoração do restaurante: um sino de uma igreja – segundo a lenda, roubado por piratas – e ânforas de vários tipos e tamanhos. Tudo arrumado dentro de uma pequena caverna de paredes de pedra, com mesas de madeira, redes de pesca penduradas e um aquário para o cliente escolher a lagosta que quer para o jantar.

A Croácia é assim: uma boa surpresa em cada canto. E se você achar que o país é realmente um paraíso, não está sozinho. O escritor irlandês George Bernard Shaw escreveu sobre a Croácia em 1929, poucos anos depois de ganhar um Prêmio Nobel de Literatura. Para ele, algumas cidades croatas eram “o Paraíso na Terra” e as ilhas eram “lágrimas, estrelas e suspiros de Deus para coroar o trabalho da Criação”. ::

:: O que você precisa saber sobre a República da Croácia (Republika Hrvatska)

:: 56.538km2 em um território que inclui 1.185 ilhas no mar Adriático e apenas 66 delas habitadas.
:: O clima é mediterrâneo na costa e continental no interior. A temperatura média no verão é de 25ºC a 33ºC. No inverno, neva em algumas regiões do interior, mas a temperatura se mantém em torno dos 11ºC no litoral.
:: O litoral é recortado e montanhoso ao sul e mais plano ao norte. Florestas cobrem 36% do território. A montanha mais alta é o monte Dinara, com 1.831m.
:: Vivem no país cerca de 4,8 milhões de pessoas.
:: A língua oficial é o croata, de origem eslava como o russo e o sérvio, mas que usa o alfabeto romano.
:: O país não é membro da União Européia e, portanto, não usa o Euro. A moeda oficial é o kuna (1 Euro = 7,4k/ 1 US$ = 6,1k em junho de 2004). É facil encontrar um pedaço do paraíso em uma das 1.185 ilhas da Croácia

:: QUANDO IR
:: A melhor época para visitar a Croácia é de junho a setembro. No auge do verão europeu, em julho e agosto, o país fica mais agitado e pode ser difícil encontrar hotel caso viaje sem reserva.

:: VISTO
:: Brasileiros não precisam de visto para ficar até 90 dias a turismo no país.

:: ALGUNS PREÇOS
:: 1 hora de internet: 20k
:: Risoto de frutos do mar: 40k
:: Lagosta: 550 k
:: Taça de vinho da casa: 20k
:: Barco Split- Bol: 20k
:: Aluguel de Split-bol Lambreta: 250k/dia

:: VÔOS
Os vôos do Brasil para a Croácia geralmente fazem conexão em alguma cidade da Europa. De barco, o trajeto mais freqüente é a linha Ancona (Itália) – Split (Croácia).

:: PARA VIAJAR COM LUXO:
Um casal - 7 noites - Total US$3.880
Passagem aérea SP - Zagreb - SP: US$1.103
Passagem aérea Zagreb - Split - Zagreb: US$224,50
Transporte Split - Vis - Split: 60k ou US$10 (cada trecho)
Transporte Split - Brac - Split: 38k ou US$65
Hotel 4 estrelas em Split: US$586 (3 noites)
Hotel em Brac: US$430 (2 noites)
Hotel em Vis: US$176 (2 noites)

:: PARA VIAJAR COM ECONOMIA, MAS SEM SACRIFÍCIOS:
Um casal - 7 noites - Total US$2.678
Passagem aérea SP - Roma - SP com desconto do STB: US$1000
Trem Aeroporto - Roma - Ancona: US$45 (ida e volta)
Barco Ancona - Split (em cabine de 4 pessoas): US$170
Transporte Split - Vis - Split: 60k = US$10
Transporte Split - Brac - Split: 38k = US$65
3 noites em Split: US$123 (casal)
2 noites em Bol: US$66 (casal)
2 noites em Vis: US$33 (casal)
Estimativa diária para refeições por pessoa: US$20

taxas de embarque não inclusas
*valores sujeitos a disponibilidade e alteração sem aviso prévio.


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